ACTA FINAL
Apenas uma tónica!
- Púdica, sou a única abstémica.
Agarrada ao espelho,
conto estrelas vermelhas
e argolas de vento,
no vazio sem eco da ilha,
e espreito pálidos sinais
da interminável sorte.
A norte, dizem as gestas,
erguem-se pedestais inertes,
cedidos aos sortilégios dos naturais,
para perdurar a graça e a arte,
mote antiga dos samurais,
esses escultores da morte.
- Pudera amar-te,
desta arte,
doar-te terços séculos,
duas moléculas de mim
e um único jasmim,
despirias a túnica?
- Acudiria ao teu desejo,
se a parte do meu seio
quebrasse e os veios de ouro
dançassem sob os louros dos teus cabelos
limpando as pálperas da tua inocência.
M. A. J.
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