AS FORMAS DA DOR (I)
Não
Nem vais saber
Das mágoas que já tive
Ao ver a minha condição
submissa e frágil
E imaginar que o amor que brota em nós
a compreensão
é o bem e o mal.
Não
Não vais saber
Das marcas que ficam a vida inteira
A ver caminhos se fechando à nossa frente
E o lugar que o mundo
Docemente nos vai reservando.
Não
Não vais saber
Que o meu corpo participa inteiro
Na integração de um universo livre
E no tempo
A minha alma gritará insatisfeita
O eterno
NÃO.
EURICO BARROS
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