AO JOSÉ VICENTE LOPES
o medo morre de medo da morte
a clepsidra pára de marcar a hora parada
a pomba (coitada) voa à procura da paz e perde o poiso
o menino olha estupefacto e diz "olha uma nave!"
a mãe do menino jura qua apenas vê um cometa
mas é um luar tão cândido e aromático
que mais parece uma boa sopa de prata no céu
o lírio vai crescendo sem lirismo nenhum
telúrico é o lácio lúdico do lúcio
a sereia atlântica rebola no popular
chiça se entendo o signo das putas
o velho rompe com histórias de Kaiser
e o poeta berra "ganhei no totoloto !"
-no meio tempo do Sporting-Vitória
por favor, aquela passagem para Marte!
FILINTO ELÍSIO
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