DEPOIS de Tchalé Figueira, que tinha uma exposição de
pintura patente ao público desde o passado 4, até hoje, no Palácio
da Cultura, na Praia, chegou a vez do artista plástico Mito expor os
seus trabalhos de pintura.
Vai acontecer, sob o tema "Kurason di Sibitchi". também
no Palácio da Cultura, no Platô, de 18, (segunda-feira), até
o próximo dia 31.
Depois, mais a norte, concretamente em S. Vicente, os amantes da arte vão
poder apreciar o talento do MITO, de 8 a 15 de Novembro, no Centro Cultural
do Mindelo. Ainda ern Novembro, mas agora no Sal, o Centro Cultural de Santa Maria vai receber, durante seis dias, os trabalhos
do artista Mito, para o deleite dos Salenses.
Na segunda-feira, dia da inauguração
da exposição, o artista pretende apresentar uma comunicação
multimédia. igualmente, a exposição na Praia será
acompanhada de um workshop para crianças, cujos trabalhos serão
igualmente expostos, no átrio do palácio da Cultura, no dia
29 de Outubro, segundo uma nota da Associação Zé Moniz.
Mito Insulano (11a ilha)
Com este título em epígrafe, o Mito, do seu nome completo Fernando
Hamilton Barbosa Elias, expunha, na Câmara Municipal da Amadora, em
Portugal, mais um dos seus trabalhos, entre os muitos que já realizou,
tanto em Cabo Verde como em Portugal, onde reside actualmente. Pintor, desenhador
e fotógrafo, a pintura do Mito foi considerada na altura pelo presidente
da Câmara Municipal da Amadora como sendo "forte, que convoca
as cores, os sons, os ventos tropicais e, mais do que isso, a sua arte convoca
a memória do que fomos. É por este lado, o da rememoração
das coisas e dos lugares, que nos salvamos".
Ainda no mesmo catálogo, num texto assinado por Alexandre Cunha, referindo-se
a Metamorfoses (1995), lê-se que o Mito "desenvolveu uma linguagem
pessoal de grande intensidade poética, com apelo a três elementos
predominantes, o mar, os peixes e a escrita".
Um extracto do texto de Hans-Peter (Lonha) ajuda-nos melhor a entender a ''substancia
insular" do artista.
"Mito - a transposição de um sonho para uma realidade
bem visível. A obra do Mito é a arte de combinar poesia e pintura
que, irmanados na tela, evocam toda uma fenomenologia, inspirando vida e visão
originais nas figuras hu-manas, seus gestos e expressões, e fornecendo
também uma leitura dantes desconhecida da substância insular.
Ter-lhe-à valido ao Mito a sua sã irreverência e a sua
sede de aprender cada vez mais, se^a em Cabo Verde onde sempre tem procurado
- conseguido - a superação de uma atitude de rivalidade inter-ilhas,
seja em terras de Portugal, que tem vindo a descobrir, haurindo concelho a
concelho a sua seiva popular, sejaaindanoutras latitudes, pois o resul-tado
está à vista: um mundo maravilhosamente pintado que tem tudo
de cabo-verdiano, universal, belo e fantástico."
Jornal HORIZONTE Nº40 - Quinta Feira, 14 de Outubro de 1999. Página 15.
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