
Fernando Barbosa Elias, conhecido hoje em várias paragens do mundo por Mito, apresenta ao público português os seus últimos trabalhos consubstanciados em duas exposições de artes plásticas e multimédia. Durante estes dias de Agosto, Mito expõe as suas peças, que intercalam os vídeo-poemas e a pintura na livraria Ler Devagar, uma das mais in de Lisboa. Cabo-verdiano, natural da Praia, Mito, que começou a expor em Cabo Verde desde 1983, vive actualmente em Portugal, país onde vive há mais de uma década. Poeta e artista plástico, Mito é um inquieto activista cultural, tendo sido o criador da revista de letras, Sopinha do Alfabeto, em 1987 que, entre outras revelações, fez a estréia literária dos poetas Filinto Elísio e Valentinous Velhinho Rodrigues. Em temporada recente, nos Estados Unidos, Mito re orientou a sua linguagem plástica numa linha muito próxima à música e ao grafismo, estando na forja uma exuberante exposição em tributo ao jazzman caboverdiano-americano Horace Silver, intitulada The Capeverdean Blues.
Visaonews: Mito, fale-nos um pouco do N Pintura & vídeo poemas. Trata-se de um prolongamento ou de uma ruptura?
De um prolongamento obviamente. (...) Apesar de constante tsunami em MARE CALAMUS, as rupturas desaguam sempre em macaréu.
VNN: Considera-se pintor ou um multi-plástico? Não acha meio redutor ser-se pintor após Warhol e Basquiat? Falando nisso, quais as suas influências mais marcantes?
Considero-me uma espécíe de griot que
utiliza ferramentas várias para comunicar.
Apesar do Paolo Uccelo ser um vitalício da minha galeria de mestres,
não creio que pintar passarinhos seja uma nulidade.
VNN: Em que medida, o tempo e o espaço marcam a sua obra? Que razões
o prendem a Lisboa quando há um ano pensava em New York?
O que me prende a Lisboa é a minha família, alguns amigos, a
língua, e saber que estou sempre mais pertinho de Cabo Verde.
VNN: Há pintura cabo-verdiana? Quais são os seus contornos
e a sua essência? Quem são os seus grandes cultores? Como se
posiciona nesse universo?
As gravuras de lasceaux e altamira, são tão europeias, quanto Cabo verdeanas. A coisa visual, será sempre uma linguagem universal. Não vale a pena criar ghetos neste momento em que se fala tanto da globalização cultural. Podia citar um rol de nomes que dão o bordão certo para continuar, mas prefiro ficar com o Codé di Dona. Sei que ele, abre o fole da gaita, com precisão e jaming apaixonantes.
VNN: E o projecto The Capeverdean Blues, a quantas vai?
Ficou em bemol dont scat over b-flat !
VNN: Qual a próxima etapa?
Estou trabalhando em vários tipos de vídeo,
que abrangem linguagens diversas. Que vai do clip musical ao documentário,
do vídeo-poema & animação à virtual-panfletária.
Tudo coisas com uma linguagem muito moderna, multimédia, universal
& Caboverdeana. Conto mostrar essas criações, algures e
brevemente.
Filinto Silva
Entevista publicada no VISÃO NEWS - 21 de Agosto de 2002

Nota publicada no Diário de Notícias. Lisboa - Portugal.
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