A "eco pintura" do artista plástico caboverdiano Mito está patente no restaurante As Ilhas, até depois de amanhã. Uma exposição que evoca as ninfas crioulas e que tem como pano de fundo o mar e a escrita. A mostra chama-se "Lantuna na mei di mar"
"LANTUNA" é um arbusto aromático,
que abunda nas encostas do arquipélago de Cabo Verde. Diz quem o cheira
que o seu doce aroma é inesquecível. É o que, pelos vistos,
acontece com o pintor caboverdíano Mito, artista plástico, que
expõe até sábado, no Restaurante As Ilhas, um conjunto
de 22 quatros, a que chamou "Lantuna na mei di mar".
A pintura que Mito mostra no restaurante de Cabo Verde é, como gosta
de afirmar, "uma odisseia marítima narrada em jeito de fábula".
O entrecruzamento de diferentes histórias e personagens das ilhas atlânticas
é retratado através de uma técnica, auto-denominada "pintura
eco". Os ramos de "lantuna", diz o pintor, vão perfumar
um oceano cada vez mais conspurcado pela acção humana. Mito
acredita que "uma mudança de mentalidade" pode ainda salvar
os mares e o próprio mundo. É por isso que este artista plástico,
radicado em Portugal vai para 10 anos, evoca as "ninfas crioulas"
e os seus "eco quadros" são concebidos com pigmentos naturais
e com materiais reciclados. O fio condutor da exposição "Lantuna
na mei di mar" são, necessariamente, os oceanos. Pintados e escritos,
porque Mito diz que "a escrita é um elemento gráfico"
inerente à sua pintura na qual "o mar e a escrita navegam sempre
lado a lado". Mas a consciência ecológica de Mito vai para
lá das telas. O artista ocupa grande parte do tempo a "ensinar
as crianças a fazer a reciclagem de materiais em benefício da
arte". Uma nobre forma, refere, de "fazer do lixo um luxo".
Artigo publicado no DIÁRIO DA EXPO' 98 -Nº85, Quinta Feira, 13 de Agosto de 1998. Página 6.

Artigo publicado no DIÁRIO
DA EXPO' 98
Nº112, Quarta Feira, 9 de Setembro de 1998. Página
3.
![]() |
![]() |
|||||||||||||||
![]() |
![]() | |||||||||||||||
![]() | ||||||||||||||||