Na opinião de muitos, a pintura em Cabo Verde
tem sido desen-volvida e valorizada nos últimos tempos, a par de outras
formas de arte, devido à necessidade que os artistas tiveram de reproduzir
as suas obras e, consequentemente, de tornar a arte acessível a um
maior número de pessoas.
O público mindelense, de 8 a 15 de Maio, teve acesso a uma exposição
do artista Mito (Fernando Hamilton Barbosa Elias), onde estiveram expostas
32 obras, de entre desenhos, aguadas e pinturas, patrocinada pelo INAC.
Satisfeito com a aceitação que teve a exposição,
Mito disse-nos que: "o público cabo-verdiano já educou de forma bastante
positiva a sua visão da arte. As pessoas olham e conseguem dar uma
opinião bastante participativa".
Tendo nascido em 1965, na Cidade da Praia, Mito começou a pintar em
1981. Pintor, desenhador e fotógrafo, estudou na AR.CO. em Lisboa,
cidade onde reside há quatro anos. Participou em várias ex-posições
colectivas, tanto em Cabo Verde como em Portugal, e também já
realizou algumas exposições individuais.
Na pintura, as obras de Mito têm sofrido alterações,
mediante o desenvolvimento de uma série de trabalhos até à
exaustão, onde as co-res divergem e desdobram-se, sendo o amarelo uma
cor constante ao longo desse percurso pictórico.
Embora sem o admirar excessivamente, sente-se aproximado artísticamente
do pintor Miró, principalmente no apelo que faz ao sentido de humor,
de que alguns dos títulos das suas obras são reflexo e que Mito
vai buscar ao quotidiano e a uma certa maneira de estar na vi-da, talvez "sui
generis".
Este artista considera que a arte cabo-verdiana está actualmente bem
representada, tanto em Cabo Verde, como na diáspora, verificando-se
uma maior dedicação das pessoas, e elogiou o facto de haver
presentemente galerias em Cabo Verde e de se realizarem exposições
periódicas.
Para todos os pintores cabo-verdianos deixou a seguinte mensagem: "continuem
a pintar, independentemente de terem ou não apoios".
Artigo escrito por Sofia Lima, e pubicado no Jornal da Câmara Municipal do Mindelo. S. Vicente - Junho de 1995. Página 5.
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