Voltando ao Corêto, Luís Garção expôs sete quadros: "Fronteira de Sentidos", "Árvore", "'Caminho", "Dançarino", "Estratos","Partida" e "Passo". Luís Garção tem 27 anos. Numa, conversa simpática, fiz-lhe algumas perguntas sobre o Homem e as coisas, para melhor conhecer a sua personalidade de homem e de artista. Dentro das múltiplas tendências ou concepções no domínio da pintura, surgem artistas tais como o Mito e o Zé Pitadinha, de grande sensibilidade, sobretudo no concertamento da pintura. Ele diz-me: "Gosto de pintura e dos relevos, e estou sempre a pesquisar novas técnicas. Porque, hoje, o mundo da pintura é vasto", concluiu.
Também houve artesanato. Zé Pitadmha estava lá, na exposição do Corêto, para expor a sua arte. Nos seus trabalhos utiliza conchas do mar - "coisas" bonitas perdidas na borda das nossas ilhas - bem como a couraça da secular tartaruga. Apresentou colares, pulseiras, anéis, e poderia fazer muito mais "coisas".
Esta exposição foi efectivamente, uma das mais interessantes dos últimos anos, na nossa cidade capital. A primeira mostra séria de uma geração, de uma juventude e de uma capacidade potencial a explorar. Porque, indubitavelmente, se encontram nas entranhas de um país, que cada dia mais terá de valorizar a sua gente, abrindo caminhos para a sua evolução e libertação.
Abrir caminhos significa, por outro
lado, a participação de todos não só no tocante
a assistência, mas também, no tentar fazer. No tentar progredir,
no tentar saír da sepa-torta. Da rotina das formas... porque a Praça
12 de Setembro mudou seu rosto, quando se anunciou Arte. Precisamente quando
se noticiou a Exposição da Arte. Contudo, foi pena não
estar presente a banda de música dominical.
CALÚ DUARTE Jornal Voz Di
Povo - Outubro de 1984.
Eram precisamente seis horas da tarde quando Mito, Luís Garção e Zé "Pitadinha" acabaram de montar os painéis no Corêto da Praça 12 de Setembro.
Tratava-se de uma exposição. Tratava-se de montar o corêto d'arte - e arte chama gente. Os quadros deviam-se à imaginação de jovens da nossa terra - Mito, Garção - e os colares eram do Zé "Pitadinha".
Dezenas de pessoas foram e dezenas de pessoas gostaram da exposição.
Mito, expôs "Natureza
Quasi Morta", "Sonho 100 Sono", "Nuvem Nua" e "Eu
Lógica". Mito é o tal pintor surrealista, alto, magro
e de bigode deixando transparecer nos seus trabalhos nostalgia, ou mesmo claustrofo-bia,
quando se expressa nos quadros "Natu-reza Quási Morta",
e sobretudo no "Sonho 100 Sono".
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