
Nu Bai - exposição inteiramente produzida em
Cabo Verde, após a participação no encontro transatlântico
de Artes em Porto Madeira, durante o mês de Agosto de 2008.

Bai fla bai, em estado esquiço.

Nu Bai embrionário.

Na pé di subida ta bai ta pintcha. Palácio da Cultura Ildo Lobo - Praia - Setembro 2008.
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Ti té. Técnica mista sobre tela.
80x100 cm. 2008.
Somada nu bai ou Babylon by bus
Deixemo-nos de ilusões e de complacências: o transporte publico
interurbano em Santiago tornou-se possível, mercê das centenas
de Hiaces, mini-vans de diversas marcas, que percorrem a ilha de lés-a-lés
e de fio-a-pavio. É um sector completamente privado, faltando (noblesse
oblige) alguma iniciativa reguladora. Ali, manda o mercado, a lei (meio
gasta) da oferta e da procura. O giro do interior de Santiago à cidade
da Praia movimenta, durante o dia, mais de 30 mil pessoas. E ao fim da jornada,
em sentido inverso, os trinta mil regressam a casa. É o eixo mais movimentado
de Cabo Verde. Mas, em boa verdade, toda a ilha irradia, durante o dia, um
formigueiro de Hiaces que transportam passageiros e cargas dos e pelos lugares
mais recônditos. O fenómeno dos hiacistas é, em toda a
medida, semelhante à realidade dos Rabidantes, protagonistas do comércio
informal no Arquipélago. E há historias interessantes sobre
os Hiaces – das heróicas às escabrosas, passando pelas
hilariantes. É vê-los a fintar às operações
stop da Policia Nacional, inventando as fintas de ultrapassagem e as comunicações
de luzes tipo "Bófia no proximo quilometro, companheiro",
em solidariedade corporativa, esta-se mesmo a ver. Às vezes, arrepia
ver um Hiace, totalmente abarrotado, a 120 km/hora, e o condutor a gritar
"Somada, nu bai!". Outra vez, o sobressalto de um veículo,
com estampa do Leão do Judá, a anunciar "Biscaínho,
directo", entrecortado por um estridente reggae-music, "Babylon
by Bus". Sintomático. Por isso, sem mais delongas (nem ilusões,
nem complacências), abramos as comportas das nossas realidades (quase
sempre herméticas) e deixemos passar os Hiaces – "Tarrafal,
numa pancada, nha gente. Via Pedra Badejo!"...sem mantchontcha.
Comentários
de Imprensa
Agradecimentos : Lena França,
Misá, Leno Barbosa, Hélder, José Maria Barreto, Filinto
Silva, Rita Pires.