
Águalusa & Terracota. Técnica mista sobre pano crú. 100x70 cm. 1998. - Colecção F. Duarte - Lisboa - Portugal.
Águalusa & Terracota - Continuação da safra-safa de Lantuna, que englobou outra vertente artística - a fotografia. Uma espécie de capítulo seguinte das aventuras de Selfish Tuna e dos seus terríveis ataques à lobbytomia. A exposição teve lugar nos Recreios da Amadora em Setembro de 1998.

Nhu Naxu ka sta morado li mas ! - Palmarejo - Praia. 1987.
Agradecimentos : Luís Maçarico, Recreios Desportivos da Amadora.
UMA FLOR DE LAVA OU UM ÊXTASE
(Visões de mar e lume)
No coração de Mito, jovem pintor Caboverdiano, que conheci há
perto de dez anos, há uma Saudade e uma Cidade que os ritmos quotidianos
transformaram em "Águalusa & Terracota".
A nostalgia invadiu o sangue do
ilhéu e todos os Mistérios se apoderaram da Tela-Terra.
Derramada cor,
líquida Magia, Alquimia.
Água-Verdade das lonjuras, embalando o risco
solitário de semear, entre as veias férteis e o espaço-chão por preencher, uma
flor de lava ou um êxtase. Para atingir a luz que falta, uma sede
insaciável.
Com traços que são vento e dedos que guardam sol, com texturas
que são asas e visões de mar e lume, a pintura de Mito faz-nos saborear canções
de lua e chuva.
Mornas de noites suaves, feitas de tintas e
movimento.
Brisas de poros, areias de energia, violões de mel, grogue da
ausência, sal do silêncio.
Súbito, todas as caricias estão ali, na vertigem
do gesto simples - e sábio - que mistura tonalidades.
Mito atreve-se e
mergulha no oceano interior, com ternura e irreverência, buscando em cada sombra
a cintilação dos tesouros de terracota e dos segredos de água lusa.
Para
devolver aos sentidos um templo de beleza etérea : a terra longe da mão e a
embriaguez do olhar.
Que se fundem no desejo do AMOR permanecer.
31/VIII/98
Luís Filipe Maçarico
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