Pedra Badejo

Pedra Badejo. Esmalte sobre papel. 29x21 cm. 1984.


ARTE CHAMA GENTE NO CORÊTO DA PRAÇA

Eram precisamente seis horas da tarde quando Mito, Luís Garção e Zé "Pitadinha" acabaram de montar os painéis no Corêto da Praça 12 de Setembro.

Tratava-se de uma exposição. Tratava-se de montar o corêto d'arte - e arte chama gente. Os quadros deviam-se à imaginação de jovens da nossa terra - Mito, Garção - e os colares eram do Zé "Pitadinha".

Dezenas de pessoas foram e dezenas de pessoas gostaram da exposição.

Mito, expôs "Natureza Quasi Morta", "Sonho 100 Sono", "Nuvem Nua" e "Eu Lógica". Mito é o tal pintor surrealista, alto, magro e de bigode deixando transparecer nos seus trabalhos nostalgia, ou mesmo claustrofobia, quando se expressa nos quadros "Natureza Quási Morta", e sobretudo no "Sonho 100 Sono".

Apesar do inegável valor de um número reduzido de quadros, a exposição resultou, concretizou, justificou-se. Chamou gente. Provocou diálogo, fizeram-se comentários e chegou-se à conclusão que a Arte chama gente. Muita gente foi, e certamente que outros mais irão a partir do dia 13 a 15 do corrente, quando a exposição se realizar no Centro Cultural Português.

Voltando ao Corêto, Luís Garção expôs sete quadros: "Fronteira de Sentidos", "Árvore", "'Caminho", "Dançarino", "Estratos","Partida" e "Passo". Luís Garção tem 27 anos. Numa, conversa simpática, fiz-lhe algumas perguntas sobre o Homem e as coisas, para melhor conhecer a sua personalidade de homem e de artista. Dentro das múltiplas tendências ou concepções no domínio da pintura, surgem artistas tais como o Mito e o Zé Pitadinha, de grande sensibilidade, sobretudo no concertamento da pintura. Ele diz-me: "Gosto de pintura e dos relevos, e estou sempre a pesquisar novas técnicas. Porque, hoje, o mundo da pintura é vasto", concluiu.

Também houve artesanato. Zé Pitadmha estava lá, na exposição do Corêto, para expor a sua arte. Nos seus trabalhos utiliza conchas do mar - "coisas" bonitas perdidas na borda das nossas ilhas - bem como a couraça da secular tartaruga. Apresentou colares, pulseiras, anéis, e poderia fazer muito mais "coisas".

Esta exposição foi efectivamente, uma das mais interessantes dos últimos anos, na nossa cidade capital. A primeira mostra séria de uma geração, de uma juventude e de uma capacidade potencial a explorar. Porque, indubitavelmente, se encontram nas entranhas de um país, que cada dia mais terá de valorizar a sua gente, abrindo caminhos para a sua evolução e libertação.

Abrir caminhos significa, por outro lado, a participação de todos não só no tocante a assistência, mas também, no tentar fazer. No tentar progredir, no tentar saír da sepa-torta. Da rotina das formas... porque a Praça 12 de Setembro mudou seu rosto, quando se anunciou Arte. Precisamente quando se noticiou a Exposição da Arte. Contudo, foi pena não estar presente a banda de música dominical.

CALÚ DUARTE

Jornal Voz Di Povo - Outubro de 1984.

- continua +

Home Pintura Fotografia E-art Video E-card Sopinha de alfabeto ultimatum Biografia Indice Email Mito