
O corêto que virou corista - Cartaz que publicitou a colectiva de artesanato & pintura de Luís Garção, Zé Brazão e Mito, no corêto da praça 12 de Setembro na cidade da Praia. A exposição decorreu de 8 a 12 de Outubro de 1984 e teve continuidade no Centro Cultural Português na semana seguinte.

Quási. Esmalte sobre papel. 29x21 cm. 1984.

Pedra de toque (6 variações sobre atlântida). Esmalte sobre papel. 21x29 cm. 1984.

Azágua boa. Esmalte sobre papel. 29x18 cm. 1984.

Pedra Badejo. Esmalte sobre papel. 29x21 cm. 1984.
ARTE CHAMA GENTE NO CORÊTO DA PRAÇA
Eram precisamente seis horas da tarde quando Mito, Luís Garção e Zé "Pitadinha" acabaram de montar os painéis no Corêto da Praça 12 de Setembro.
Tratava-se de uma exposição. Tratava-se de montar o corêto d'arte - e arte chama gente. Os quadros deviam-se à imaginação de jovens da nossa terra - Mito, Garção - e os colares eram do Zé "Pitadinha".
Dezenas de pessoas foram e dezenas de pessoas gostaram da exposição.
Mito, expôs "Natureza Quasi Morta", "Sonho 100 Sono", "Nuvem Nua" e "Eu Lógica". Mito é o tal pintor surrealista, alto, magro e de bigode deixando transparecer nos seus trabalhos nostalgia, ou mesmo claustrofobia, quando se expressa nos quadros "Natureza Quási Morta", e sobretudo no "Sonho 100 Sono".
Apesar do inegável valor de um número reduzido de quadros,
a exposição resultou, concretizou, justificou-se. Chamou gente.
Provocou diálogo, fizeram-se comentários e chegou-se à
conclusão que a Arte chama gente. Muita gente foi, e certamente que
outros mais irão a partir do dia 13 a 15 do corrente, quando a exposição
se realizar no Centro Cultural Português.
Voltando ao Corêto, Luís Garção expôs sete quadros: "Fronteira de Sentidos", "Árvore", "'Caminho", "Dançarino", "Estratos","Partida" e "Passo". Luís Garção tem 27 anos. Numa, conversa simpática, fiz-lhe algumas perguntas sobre o Homem e as coisas, para melhor conhecer a sua personalidade de homem e de artista. Dentro das múltiplas tendências ou concepções no domínio da pintura, surgem artistas tais como o Mito e o Zé Pitadinha, de grande sensibilidade, sobretudo no concertamento da pintura. Ele diz-me: "Gosto de pintura e dos relevos, e estou sempre a pesquisar novas técnicas. Porque, hoje, o mundo da pintura é vasto", concluiu.
Também houve artesanato. Zé Pitadmha estava lá, na exposição do Corêto, para expor a sua arte. Nos seus trabalhos utiliza conchas do mar - "coisas" bonitas perdidas na borda das nossas ilhas - bem como a couraça da secular tartaruga. Apresentou colares, pulseiras, anéis, e poderia fazer muito mais "coisas".
Esta exposição foi efectivamente, uma das mais interessantes dos últimos anos, na nossa cidade capital. A primeira mostra séria de uma geração, de uma juventude e de uma capacidade potencial a explorar. Porque, indubitavelmente, se encontram nas entranhas de um país, que cada dia mais terá de valorizar a sua gente, abrindo caminhos para a sua evolução e libertação.
Abrir caminhos significa, por outro lado, a participação de
todos não só no tocante a assistência, mas também,
no tentar fazer. No tentar progredir, no tentar saír da sepa-torta.
Da rotina das formas... porque a Praça 12 de Setembro mudou seu rosto,
quando se anunciou Arte. Precisamente quando se noticiou a Exposição
da Arte. Contudo, foi pena não estar presente a banda de música
dominical.
CALÚ DUARTE
Jornal Voz Di Povo - Outubro de 1984.
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